15.5.09

Hoje a Tarde


...pelo chão desfilam a minha frente uma cadência de folhas secas, caídas do outono.. deixam um rastro melancólico de lembranças e frustrações.
Reúnem-se e re espalham-se desenhando no concreto cinza-azulado uma dança deformada, imagens desfiguradas, rostos desconhecidos.
O som do vento tocando a copa das arvores entrelaça o movimento dos galhos às minhas percepções, suavemente ele desliza na superfície do meu corpo, refresca meu rosto na ardência da claridade. O sol sempre mais imponente que meus passos, mais devastador que minhas fraquezas...ele castiga o descaminho que tenho tecido todas as manhãs com o fino fio cintilante das minhas veias.
Adormeci nesse início de tarde.
As rosas ao redor decoram o deserto dos meus olhos com cores vibrantes, formas pouco definidas, confusas e translúcidas como meus pensamentos.
Presas por caules esguios e delicados elas permanecem acima do ar. Lindas. Inatingíveis. Presa por um erro torto e prematuro permaneço submersa em uma paralisia letárgica onde tudo é fantasia e alucinação, onde as formas são vultos e os vultos fantasmas que me circundam e seguem valsando com a desgraça que me acomete.
Esvazio.
Ergo com os braços uma outra tentativa, uma chance de voltar pra casa, mas escorre entre meus dedos apenas mais um poema de desamor.
Levanto da mesa e caminho até a saída. O calor do asfalto me entorpece.
Um passo de cada vez. Continuo em pedaços. Continuo...
14/05 13:03
---> uma tarde linda. li. escrevi. fui ao cinema. sozinha. sozinha.

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