31.5.09
30.5.09
29.5.09
24.5.09
uma noite qualquer por aí
- migraine ^^
23.5.09
Dentre os dias, no interior de todos eles, esse foi especialmente perturbador.
Tive uma sensação estranha de não estar em mim e mesmo assim acompanhar todos os meus movimentos sem sentir absolutamente nada. Deve ser resultado das dores. Deve ser.
As tonturas também, mas essas são novidade, não as conheço bem.
O negócio é que depois de um dia estranhíssimo fui assistir a uma palestra na OAB. Perícia no Local do Crime. Lá pelas tantas, quase no final, uma mulher bizarra aparece fazendo perguntas, assim, é, assustadoras. Não sei, eu pelo menos fiquei assustada. Ela parecia ter saído de um dos filmes do Zé do Caixão, não que eu os assista, mas parecia. “Por favor, posso fazer uma pergunta? É que eu preciso muito ser examinada por um legista” (não, ela não estava morta) “eu preciso de um adEvogado por que nasceu um coágulo no céu da minha boca, meus vizinhos bruxos me disseram que são eles tentando me pegar, fizeram sangrar no céu”. Nessa hora eu já tinha deixado de rir, tremia. Não vou citar aqui as demais macabrices, inventei essa agora.
Voltei pra casa. Passei numa lan e adivinha?
Piorei.
Mas vai passar.
20.5.09
17.5.09
no telhado
16.5.09
15.5.09
.parada-ridícula- porra-louca-solitária.
...
Talvez me firam, mas, quando isso acontecer, das minhas veias vai escorrer tanta loucura que eles não voltarão nunca do inferno onde serão jogados por meu sangue.”
________________________________
as lágrimas fogem dos meus olhos
um sussurro ecoa no vento
quem veio não está mais aqui
para mim os dias continuam todos iguais
um sonho para sepultar
sinto o peso de cem anos no coração
luto.
Hoje a Tarde
Reúnem-se e re espalham-se desenhando no concreto cinza-azulado uma dança deformada, imagens desfiguradas, rostos desconhecidos.
O som do vento tocando a copa das arvores entrelaça o movimento dos galhos às minhas percepções, suavemente ele desliza na superfície do meu corpo, refresca meu rosto na ardência da claridade. O sol sempre mais imponente que meus passos, mais devastador que minhas fraquezas...ele castiga o descaminho que tenho tecido todas as manhãs com o fino fio cintilante das minhas veias.
Adormeci nesse início de tarde.
As rosas ao redor decoram o deserto dos meus olhos com cores vibrantes, formas pouco definidas, confusas e translúcidas como meus pensamentos.
Presas por caules esguios e delicados elas permanecem acima do ar. Lindas. Inatingíveis. Presa por um erro torto e prematuro permaneço submersa em uma paralisia letárgica onde tudo é fantasia e alucinação, onde as formas são vultos e os vultos fantasmas que me circundam e seguem valsando com a desgraça que me acomete.
Esvazio.
Ergo com os braços uma outra tentativa, uma chance de voltar pra casa, mas escorre entre meus dedos apenas mais um poema de desamor.
Levanto da mesa e caminho até a saída. O calor do asfalto me entorpece.
Um passo de cada vez. Continuo em pedaços. Continuo...
12.5.09
Nu.

"se tocada por dedos bruscos, me estilhaço em cacos, me esfarelo em poeira dourada. Tenho pensado se não guardei indisfarçáveis remendos das muitas quedas. Embora sempre os tenha evitado, aprendi que minhas delicadezas nem sempre são suficientes para despertar a suavidade alheia..."
Caio Fernando Abreu
Há muito sem escrever, transbordante essa madrugada, penso sobre o trecho acima..não me ocorre nada pois este é absolutamente "explícitodidático" - aglutinação? justaposição? invenção? burrice? quem sabe?
bom.." confesso-lhe, - , que quando o meu ser é como que invadido por uma espécie de febre e não ouve mais a voz da razão, todo esse tumulto é amainado diante de uma criatura como aquela, que, tranquila e feliz, percorre o círculo acanhado de sua existência..."
*Werther*
Pontilhismo.
11.5.09
Amarelinha.

Av. paulista.

.sentia nas mãos o traçado fino frio do vento cortando os poucos espaços vazios ao meu redor, entorpecendo meus pensamentos, paralisando os ossos.
.olhei e um homem cantava algum tipo de cordel, um repentista talvez. tocava um triângulo de metal nas mãos.brilhava.ele cantava.era noite.eu ouvia.
.virei o rosto e havia uma mulher..roupas velhas e sujas. Nos ombros uma mala de sofrimentos, um passado longo e pesado, era curva, era cicatriz, era ela. alimentava os pombos, pássaros famintos.estes devoravam frenéticos, disputavam o peixe, estava cru, um cheiro forte de desgraça me repugnou. eram homens aqueles animais.
.pessoas continuavam a passar, riam, zombavam, o homem, a senhora.eu estava ali.
.submersa. dei algumas informações, pessoas perdidas, a cidade estava viva. Carros passavam, luzes, músculos, ternos e tatuagens. A cidade estava viva.
Eu estava no centro do universo.
aquele vento, aquela brisa inebriante que a lua derrama sobre meus olhos todas as noites, todos os sons confusos culminam em uma estranha harmonia dissonante entorpecendo meus ouvidos, desviando meu caminho.
Um lugar, um estado de espírito.
impressões pessimistas.

"É uma verdade incrível como a existência da maior parte dos homens é insignificante e destituída de interesse, vista exteriormente, e como é surda e obscura sentida interiormente. Consta apenas de tormentos, aspirações impossíveis; é o andar cambaleante de um homem que sonha através das quatro épocas da vida, até à morte, com um cortejo de pensamentos triviais. Os homens assemelham-se a relógios a que se dá corda e trabalham sem saber a razão. E sempre que um homem vem a este mundo, o relógio da vida humana recebe corda novamente, para repetir, mais uma vez, o velho e gasto estribilho da eterna caixa de música, frase por frase, com variações imperceptíveis.”
Schopenhauer
É incontestável que a fome de viver, até para os mais relutantes como eu, é a fonte de todo sofrimento. Fato: existir é sofrer.
Até no desejo mais primário de uma criança, ou na profunda dor adolescente, ou até mesmo nas aspirações mais nobres das “pessoas mais maravilhosas” – aqui vai uma ironia – a ausência do objeto (seja ele coisa ou pessoa) faz nascer o sofrimento. A Ausência.
Facilmente confundo, confundimos todos, a felicidade como oposto, inverso do sofrimento, mas na verdade ela é sua mais pura conseqüência. Sim. O prazer instantâneo da satisfação de um desejo é ser feliz, pontualmente, mas é. Esse é o ciclo que nos torna tão miseráveis, tão humanos. A felicidade é tão somente a ausência da infelicidade. Simples assim.

