
"É uma verdade incrível como a existência da maior parte dos homens é insignificante e destituída de interesse, vista exteriormente, e como é surda e obscura sentida interiormente. Consta apenas de tormentos, aspirações impossíveis; é o andar cambaleante de um homem que sonha através das quatro épocas da vida, até à morte, com um cortejo de pensamentos triviais. Os homens assemelham-se a relógios a que se dá corda e trabalham sem saber a razão. E sempre que um homem vem a este mundo, o relógio da vida humana recebe corda novamente, para repetir, mais uma vez, o velho e gasto estribilho da eterna caixa de música, frase por frase, com variações imperceptíveis.”
Schopenhauer
É incontestável que a fome de viver, até para os mais relutantes como eu, é a fonte de todo sofrimento. Fato: existir é sofrer.
Até no desejo mais primário de uma criança, ou na profunda dor adolescente, ou até mesmo nas aspirações mais nobres das “pessoas mais maravilhosas” – aqui vai uma ironia – a ausência do objeto (seja ele coisa ou pessoa) faz nascer o sofrimento. A Ausência.
Facilmente confundo, confundimos todos, a felicidade como oposto, inverso do sofrimento, mas na verdade ela é sua mais pura conseqüência. Sim. O prazer instantâneo da satisfação de um desejo é ser feliz, pontualmente, mas é. Esse é o ciclo que nos torna tão miseráveis, tão humanos. A felicidade é tão somente a ausência da infelicidade. Simples assim.
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