.nua. o corpo grudado na parede do quarto, me sinto menor.
.dor diminui gente, sabe?
.o travesseiro fincado contra o peito. desisto.
.mãos agarrando o lençol como se desfizesse a própria carne, descartando pra todo lado a pele que não me serve, órgãos que não são meus.
.covarde. escondo o rosto, não me olha. minha cama é de vermelho manchado, daqueles que tão ali há muito tempo.
.vai embora. não, espera aí.
.amanhã serei dia. e dia você pode tocar.
.quando a noite vier, vem. me olha bem, mas é pra ver.
.não dou mais nenhum passo.
.sou toda outra vez. e de pernas quebradas.