7.2.12

.nua. o corpo grudado na parede do quarto, me sinto menor.

.dor diminui gente, sabe?

.o travesseiro fincado contra o peito. desisto.

.mãos agarrando o lençol como se desfizesse a própria carne, descartando pra todo lado a pele que não me serve, órgãos que não são meus.

.covarde. escondo o rosto, não me olha. minha cama é de vermelho manchado, daqueles que tão ali há muito tempo.

.vai embora. não, espera aí.

.amanhã serei dia. e dia você pode tocar.

.quando a noite vier, vem. me olha bem, mas é pra ver.

.não dou mais nenhum passo.

.sou toda outra vez. e de pernas quebradas.

27.1.12

.hoje a noite está vermelha. Eu não estou mais ali. me convenci de que sou meu reflexo no outro. fragmentada, dissipada pelas expectativas e projeções sobre meu corpo. existo sem identidade, anônima e mentirosa. me vejo estrangeira, irreconhecível, sufocando o ar dentro do peito pra voltar a ser. não quero nada nem espero mais coisa nenhuma. não acredito no que sinto, não existe, é simulação sem simulacro. Minhas verdades são todas inventadas, crias de uma arvore podre cujos frutos são o que manipulo o mundo a ser, sob meu molde. artesã de falsidade. errada. nada.

24.1.12

Abro a janela. Quantas margens têm a minha vida?

Na minha frente um abismo, é você tomando tudo.

.da força que nasce em mim a todo tempo me enfraquece o que encontro. de tudo que acredito mais é o que se desfaz daquilo que permanece. de mim nada além do que já não é. do que é pedaço, mora meu desespero. minha casa, desencontro.



De volta.

in pj harvey, rid of me