22.6.09


Confesso um esforço consciente para não lembrar dos muitos fins de tarde que passei ali... quase sempre exausta de um dia cheio de preocupações adolescentes.
Como me enfastiavam as preocupações adolescentes!
Saía do colégio e amortecida eu costumava caminhavar pelo centro da cidade em direção ao velho museu, lá ainda funciona a repartição de cordas do conservatório.
Era ali que me refugiava do mundo, entre as árvores anêmicas eu sentava, tirava o tênis e enterrava os pés na grama fresca.
Uma lembrança tênue cerra meus olhos..já estava noite, sei que comprei morangos e fui até o museu.
Ouvi de longe o gear grave e firme de um cello. lindo e imponente ele desfilava pelo ar tornando todos os outros sons menores, pessoas falando, carros, buzinas, o som de todas as coisas era secundário.
.não importa o que digam, a música é sempre a arte mais pura, música é instinto.
e foi instinto que caiu sobre meu corpo como uma lança, minha pele respondeu imediatamente aos violinos, violas e contrabaixos que se seguiram. era uma harmonia densa e larga, talvez um romântico ou um impressionista, ou um mágico tecendo fios de ouro ao redor dos meus sentidos. então desconheci as pessoas e as preocupações adolescentes, não sabia mais o que era mundo..sabia apenas de mim no instante em que me fiz ressonância, vibrato, prestíssimo...

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