22.7.09

Ontem acordei subitamente dentro de uma madrugada densa onde as paredes moviam-se através do meu corpo estampando uma ordem caótica de cicatrizes e quedas. A cima do meu rosto havia vidros trincados pelas lembranças de um tempo recente em que meus pés não eram movediços e meus lábios melancólicos, eram vértices afiados e famintos os da minha insônia. Sobre mim um teto deformado pelas invenções caia como lâminas translúcidas abrindo profundas fendas ao meu redor, assaltando dos olhos a pouca luz que ainda me corta. Ao avesso estavam as convicções que me trouxeram até aqui, eram fontes de eterno frio e engano. Eu sou meu próprio outono desabitado, arranco uma a uma as pétalas e folhas da minha pele, certamente para ferir menos, tropeçar em outras pedras que não sejam meus pés.
23:40

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