26.9.09

.não sei se vc percebeu mas não chove desde aquele dia em que nos encontramos, é estranho não chover assim nessa época do ano, é estranho que todas as noites sejam tão claras quando vc está por perto, quando a umidade da tua boca cobre meus olhos e não vejo mais tardes e manhãs em que não sejamos apenas nós. não vou ficar te contando aqui quando exatamente o mundo e tudo dentro dele ficou assim insignificante, ou me esforçando pra lembrar a primeira vez a segunda e a terceira e todas as outras vezes que desejei seus tecidos largos em volta do meu corpo.não, disso tudo vc já sabe. a verdade é que tem feito sol aqui, bem aqui, vc ta vendo? Besteira minha perguntar, desde o inicio vc sempre viu, sempre sentiu que seriamos..é, que seríamos. eu tenho medo, sei la se já te confessei isso, seria mais uma entre tantas e tantas confissões silenciosas que tecemos todos os dias...então agora vc já sabe, medo porque queima, e dói.as vezes sangra.as vezes mel, outras um liquido leitoso azulado que resolvi chamar de...não importa.mas é ele que nasce nos meus olhos sempre que te vejo, escorre por dentro consumindo meus tecidos, meus músculos e se alargando por toda parte até tomar de assalto pernas braços pele e qualquer movimento em que nao estejam os seus. porque fora deles não existo e não respiro e. nao me deixa.

Um comentário:

  1. Devia ser sábado, passava da meia-noite.
    Ele sorriu para mim. E perguntou:
    - Você vai para a Liberdade?
    - Não, eu vou para o Paraíso.
    Ele sentou-se ao meu lado. E disse.
    - Então eu vou com você."

    Caio Fernando Abreu


    (eu vou ¢a, qualquer lugar, com vc).

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